terça-feira, 16 de setembro de 2014

Continuação da AUTO-AVALIAÇÃO

Inicialmente, eu tinha como projeto gravar um vídeo em que as pessoas mostrariam a última foto tirada com o celular e a história por trás disso.

Mas -como eu faço com a maioria das coisas que eu planejo- eu desisti. Ou melhor, eu falhei.
Tentei várias vezes filmar. Ou melhor, tomar coragem para filmar. Mas a coragem faltou. Impedida pela timidez não consegui abordar as pessoas para realizar a filmagem. Nem na faculdade, nem na rua, e nem no shopping. Estes foram os três lugares onde eu tentei. E não consegui.

Durante o curso, eu li alguns textos, mas confesso que não li nem metade. E dos que eu li, nem todos eu terminei de ler também.

Eu não terminei de ler o “Culturas e Artes do Pós-Humano: da cultura das mídias à cibercultura” da Lucia Santaella, mas gostei das partes que li. Eu cheguei até a fazer um esquema de leitura e estruturar uma postagem que eu faria no blog. Mas novamente desisti.

Eu li “A corrida para o Século XXI: No loop da montanha-russa” de Nicolau Sevcenko, e gostei, acredito que consegui assimilar os conceitos, entre eles a síndrome do loop e a crítica.
Nicolau tenta, com o livro, alertar para o perigo da aceleração nos tornar indiferentes com o que acontece ao nosso redor. As transformações tecnológicas têm o poder de fazer com que percamos a nossa capacidade crítica e –consequentemente- a nossa identidade. O autor chama atenção para o fato de que as inovações, das quais as mais importantes se deram nos últimos cem anos, provocaram impactos sobre todo aspecto da vida no planeta. Logo, as mudanças introduzidas com a tecnologia não se deram somente no campo da produção, mas também da difusão de informação e entretenimento, e da ciência de modo geral. O que mais gostei do livro foi a espécie de linha do tempo traçada pelo autor, tratando dos fatos históricos e a influência das grandes corporações sobre os mesmos. Um autor que definitivamente vou procurar depois do fim do curso é Nicolau Sevcenko, até mesmo porque eu costumo me interessar pelas coisas ou pessoas depois que elas acabam ou morrem.

Outro tema estudado foi sobre as diferenças. Acho que foi a aula 10, que foi apresentada por volta do fim de julho, ou começo de agosto. Nessa aula tivemos uma boa conversa, na qual a senhora apresentou a questão da tolerância e da aceitação quanto às diferenças entre pessoas e grupos. Ficou clara também a questão da construção da identidade, e sobre isso consegui refletir sobre como alguns atos podem exercer influência negativa ou positiva sobre a identidade, uma vez que ela é formada socialmente. Pelo modo como é formada, concluímos que ela se molda e é capaz de moldar o que está à sua volta.

Fiz alguns textos sobre outros temas e vou postá-los no blog. Como sempre, deixei para a última hora, então peço perdão pela falta de aprofundamento dessa auto-avaliação. Agora são 23:48 do dia 15 de setembro, e para não estourar o prazo de entrega dessa atividade, vou encerrar por aqui. Mas vou postar a continuação no blog.

Novamente peço perdão, pelo atraso, que é uma consequência da minha constante procrastinação. E lembro que farei a continuação, ela estará no meu blog.

CONTINUAÇÃO

Bom, quanto à participação nas aulas, acredito que tive um bom aproveitamento nos debates propostos. Tive a oportunidade de presenciar um debate sobre o uso dos espaços públicos, inclusive o da universidade, através da discussão sobre a famigerada fita adesiva. Foi um debate um tanto acalorado, principalmente quando entramos na questão do acesso aos campi da UFABC. Serviu para que eu refletisse sobre a utilização dos espaços, e me fez pensar sobre uma coisa que nunca havia pensado: o fato de que se fossem quebrados os muros que cercam o campus de Santo André haveria uma circulação muito maior de pessoas, assim como o aumento da iluminação do local, e desse modo a violência poderia diminuir.

A aula 13 também tratou de um tema importante, tanto nas discussões da faculdade, quanto da sociedade em geral. O tema da diversidade sexual foi bastante apropriado para que fossem estabelecidos alguns conceitos básicos sobre os gêneros.

A adequação de gênero, assim como a aceitação perante a si mesmo e à sociedade, constituem um aspecto fundamental da formação da identidade de uma pessoa. Um ponto importante do texto estudado foi a questão da construção histórica e cultural das relações de gêneros, das definições quanto aquilo que é feminino e aquilo que é masculino. Outro aspecto interessante diz respeito à Identidade de Gênero, uma vez que essa não se restringe à constituição biológica do indivíduo, e sim da forma em que ele se encaixa ou simplesmente não se encaixa. Essa identidade pode ser afetada pelas diversas esferas da vida do indivíduo, como a religião, família e sociedade em que ele vive.

Acredito que o curso nos auxiliou na busca da desconstrução da heteronormatividade e da aceitação das diferentes orientações sexuais, uma vez que estas fazem parte da construção da identidade. Esse auxilio se deu por meio do estímulo ao diálogo entre os diferentes grupos, e estímulo à expressão e interação entre os alunos.

Voltando à questão das aulas presenciais, também pude ajudar o grupo das religiões em debates e na interação com o espaço e os alunos, por meio dos cartazes das minhas amigas, os quais continham perguntas a serem respondidas sobre os assuntos da importância da religião e a influência dos padrões de beleza sobre as pessoas.

Confesso também que não tive paciência para fazer postagens periódicas no blog, portanto vou postar tudo agora. E também não li todos os textos.

Porém considero que fui participativa nas aulas, mas dentro dos meus limites, uma vez que não sou o tipo de pessoa que comenta tudo, ou que levanta a mão para expressar opinião.

Eu não sei que nota deveria ser atribuída ao meu trabalho ao longo do quadrimestre. Só sei que tive um bom aproveitamento, pude absorver muitos conceitos, e aprendi formas de como aplica-los na minha vida (não só acadêmica e profissional, mas em tudo). Não quero ser puxa-saco, mas achei o curso interessante, assim como as suas propostas de temas e os textos apresentados.

A forma de exposição de conceitos e a interação durante as aulas foram formas com as quais eu não estava acostumada, mesmo tendo feito outra matéria com a senhora (CTS), mas a participação que tive nesse curso foi infinitamente maior e mais produtiva.

Gosto de escrever, portanto não há uma justificativa plausível para o fato de não fazer postagens regulares no blog. E admito que tenho dificuldade para ler, então essa é a minha justificativa para não ter lido tantos textos quanto, de fato, gostaria de ter lido.

Novamente peço perdão pelo atraso de quase 1 hora na entrega de uma auto-avaliação decente, e sinceramente acho que ela está incompleta. Mas é tudo por enquanto.


Obrigada pelas aulas e bom recesso!

Sobre as diferenças

As notícias dos últimos dias foram propícias para que eu escrevesse um texto sobre as diferenças.

Partindo da definição de identidade proposta na aula 10 (A Produção Social da Identidade e da Diferença), nos deparamos com uma variedade de definições da palavra identidade. No meu ponto de vista, identidade e diferença são palavras que não se separam, principalmente quando tentamos analisar a relação entre as pessoas e os grupos.

Tendo identidade como aquilo que engloba os sentidos de pertencimento a grupos e de localização no tempo e no espaço, gostaria de analisar a questão racial no Brasil, sobre os aspectos da identidade da pessoa negra e da cotidianidade do preconceito racial.

Semana passada, uma jovem chamou o goleiro da equipe do Santos F.C de “macaco” durante um jogo. Disso todos já sabem, e já sabem também da repercussão que isso teve e de seus desdobramentos, como o fato de que a jovem em questão sofreu uma série de insultos e ameaças, chegando até mesmo a ter sua casa incendiada.

O que me espanta é a reação extrema que um xingamento foi capaz de provocar. Não que eu esteja defendendo a moça, mas não acho que atos de violência e o uso de um preconceito e de uma opressão igual –se não maior- que a manifestada pela torcedora, vão ajudar a coibir o racismo e as atitudes de preconceito em geral. Chamar a moça de “vadia”, ou “prostituta” só prova o quanto boa parte da população ainda é ‘atrasada’ quando se trata de certos assuntos.

Posso estar errada, mas acredito que o uso de tais palavras só perpetua uma outra ideia ultrapassada e igualmente opressora, que é a ideia do machismo. Incitações como a de estupro contra a jovem são ultrajantes e criminosas, e mostram que tanto a moça (que obviamente fez algo errado e merece ser punida por isso) quanto os supostos defensores dos oprimidos estão na verdade no mesmo barco.

Eu me auto intitulo “quase negra”, pois o meu tom de pele permite que eu me declare mais que parda, mas não negra.

Durante toda a minha vida eu estudei em escolas particulares. E só quando estava no 3º ano do ensino médio me veio o questionamento sobre quantos negros estudavam na minha escola.
O professor pediu para que levantassem a mão aqueles que eram negros, ou quase isso. Somente eu levantei a mão. A classe contava com 50 alunos.

Ficou pior quando ele tentou lembrar quantos negros estudavam na escola toda. Menos de 20, numa escola com quase 4000 alunos.

A escola era o Singular, uma das melhores da cidade de Santo André. Posso dizer que lá dificilmente se encontraria um aluno que não pertencesse no mínimo à classe média. E isso explica o fato de se encontrar um número tão pequeno de negros naquela escola.

Uma coisa que me deixa inquieta é a revolta que um xingamento causa, e o tipo de debate trazido com isso. O que o país todo está discutindo agora é apenas um dos efeitos, e não a causa e a origem do racismo.

Não faz parte da conversa entre duas senhoras no ônibus o questionamento quanto ao porquê de, no Brasil, morrerem três vezes mais jovens negros por conta da violência do que brancos.

Também não faz parte do bate-papo cotidiano a violência e humilhação sofrida por garotos negros nas mãos da polícia, e de qualquer autoridade que se ache no direito de zelar pela segurança –leia-se seguranças de shoppings, guardas, vigias e fiscais de loja- pelo simples fato de serem negros.

Não foi questionada, pela massa, a origem do xingamento “macaco” quando a população abraçou a campanha do “Somos Todos Macacos”. Não estou tirando o mérito da ação inteligente e ousada do jogador Daniel Alves ao comer a banana atirada em campo por um torcedor [se você não estava no planeta Terra naquela época clique aqui], apenas condeno a jogada de marketing que se seguiu disso.

E quanto ao fato de a população carcerária ser composta em sua maioria por negros? E o número ínfimo de negros nas universidades (principalmente as mais conceituadas)? E as mulheres negras (não só as negras) que sofrem com a violência doméstica na periferia? E o padrão de beleza que incute desde cedo que o bonito é ser branca, loira e cabelo liso, quando a maioria das brasileiras são pardas e do cabelo crespo? E o cidadão que é parado pela polícia só por ser negro? Ou aquele cara que passeia pelo shopping enquanto é seguido pelo segurança –que muitas vezes também negro- só pelo fato de ser escuro?

Eu odeio aqueles fiscais de tudo, que condenam tudo que seja expressão popular, ou que não tenha embasamento científico, ou então que não tenha sido escrito por um blogueiro legal ou um escritor importante. Então não acho que não seja legitima a revolta sentida pela população ao se deparar com os casos de racismo no futebol. Apenas destaco a indiferença e até mesmo omissão quanto aos casos corriqueiros, que acontecem todo dia.

Ser negro significa sim ter a pele escura, o cabelo crespo, entre outras coisas que nos distinguem fisicamente. Mas isso carrega também uma história.

Essa história nos é negada todos os dias quando as formas de expressão do jovem negro são marginalizadas, ou quando a simples aceitação de suas características naturais –como assumir o cabelo crespo com um belo black power- é vista com maus olhos. Sem falar do tratamento dado às religiões de matriz afro-brasileira. O que dizer dos rótulos dados aos praticantes de umbanda, candomblé e outras formas de culto? Eu questiono isso porque eu mesma já fui preconceituosa com relação a essas religiões. Já os chamei de macumbeiros, e não tive o menor respeito por suas práticas. Mas, graças a Deus, a vida, e as pessoas maravilhosas que cruzaram o meu caminho, me ensinaram que macumba não passa de um instrumento musical, e que aquelas pessoas que dançam, cantam e rodopiam estão fazendo nada mais do que expressar aquilo que sentem e acreditam.

Às vezes eu paro para pensar e me envergonho por ter um dia agido assim. Neguei a herança histórica e acabei negando também a identidade, não só a deles mas também a minha identidade.

Ao pensar nisso, lembro de outro conceito aprendido em aula: Aceitação.

A professora Andrea falou sobre aceitarmos as diferenças das outras pessoas, por mais estranhas que elas nos pareçam, tentando incorporar o que for interessante, sempre aprendendo algo através da troca, isso poderia ser positivo para a nossa vida.


Ela estava certa.